Aprender a Esperar: a Importância de Desenvolver a Paciência nas Crianças

Aprender a esperar é o mesmo que desenvolver a paciência, é fundamental para as crianças se tornarem adultos mais bem preparados emocional e psicologicamente.

Todo pai ou mãe já se deparou com birra, choro, raiva e ouviu um “eu quero agora”, ao dizer à sua criança que algo não podia acontecer ou ser entregue em um determinado momento. Às vezes, a insistência do(a) pequeno(a) vence a resistência dos pais e eles acabam cedendo.

É um comportamento muito comum, que acontece em todas as famílias, e nem sempre dá pra aguentar a frustração excessiva da criança. No entanto, os pequeninos precisam aprender a esperar, afinal, na vida, quase sempre as coisas não acontecem como e quando a gente quer.

Aprender a esperar, não é somente importante para os desafios diários (repleto de momentos de espera!) da vida adulta. Uma criança que tem essa habilidade desenvolvida, se transforma num adulto mais educado, que entende que o mundo não gira ao seu redor e, principalmente, consegue viver melhor no coletivo, reconhecendo as regras, obrigações e diversidade da sociedade.

Ensinar aos pequenos a esperar é uma forma de mostrar como funciona o mundo desde a infância. A comida não fica pronta num toque de mágica, leva tempo para chegar no destino de uma viagem, a data do aniversário não pode ser adiantada para ganhar o presente mais rápido, as coisas não acontecem num piscar de olhos, as outras pessoas nem sempre podem atender a um pedido imediatamente.

Para nós adultos, que já desenvolvemos a paciência, essas coisas são rotineiras. Já para as crianças que não entendem as “esperas” inevitáveis da vida, cada uma delas pode gerar frustrações, atrapalhar a comunicação e até mesmo interferir no desenvolvimento infantil

Continue a leitura para entender como as crianças enfrentam a espera e a dificuldade que têm de lidar com o tédio. No final, você confere dicas práticas para seu/sua filho(a) aprender a esperar.

Diferenças entre Ansiedade e Impaciência

Primeiramente, é fundamental entender as diferenças entre ansiedade e impaciência, pois é muito comum encontrar pais com crianças que não sabem esperar as rotulando como ansiosas. “Meu filho é ansioso, não sabe esperar” ou “Quando ela quer tem que ser na hora, senão, já viu!”.

Essas frases, ouvidas em muitas famílias e agravadas por gerações mais imediatistas, acabam rotulando crianças que não “aprenderam a esperar” como indivíduos que sofrem de ansiedade. Assim, uma grande lacuna no desenvolvimento infantil deixa de ser preenchida, causando entraves complexos na adolescência e posteriormente na vida adulta.  

Por isso, antes de determinar se a criança é impaciente ou ansiosa, é fundamental entender as diferenças entre uma coisa e outra, para saber como agir e solucionar o problema, garantindo um desenvolvimento infantil harmonioso e edificante.

Entenda as diferenças.

Ansiedade

  • Está ligada ao medo e a preocupação;
  • A criança ansiosa geralmente opta por se afastar, desistir, reservar seus pensamentos e só pede ajuda aos pais quando é inevitável;
  • A ansiedade torna difícil o entendimento da origem da preocupação, fazendo com que os pequeninos não consigam explicar direito o que sentem ou imaginem que os adultos não vão os entender;
  • Mudanças repentinas de comportamento, desistências atípicas e falta de interesse em coisas ou atividades que antes eram muito atrativas.

Impaciência

  • A impaciência está ligada à insistência, irritação, raiva e, às vezes, agressividade;
  • As crianças que não sabem esperar são mais agitadas e demandam sempre de muita atenção;
  • A criança impaciente deixa claro o que quer e continua pedindo aos adultos o que deseja, insistentemente até conseguir;
  • A impaciência é marcada por comportamentos repetitivos, tornando as crianças insistentes durante um longo período, sem desviarem o foco até serem atendidas.

Como as crianças enfrentam a espera conforme sua idade?

A espera é vista de diferentes óticas, conforme a idade da criança avança. 

No primeiro ano de vida, os pequeninos ainda não conseguem controlar suas emoções e muito menos expressar com clareza suas necessidades. Durante este período, a espera causa medo e pânico, acompanhados da sensação de vulnerabilidade. Por isso é tão importante atender os bebês de imediato.

Entre 1 a 3 anos de idade, as crianças já sabem lidar um pouco com suas emoções, mas ainda existe uma dificuldade na hora de aceitar a espera, pois ainda não têm uma noção exata de tempo. Devido a isso, nessa faixa etária esperar pode ser algo interminável ou super rápido, tudo depende das circunstâncias e do humor dos pequeninos.

Dos 4 anos em diante, as crianças já têm uma boa noção de tempo e começam a entender melhor o conceito e necessidade da paciência. Por isso, nesta fase já conseguem “se virar” sozinhas ou sabem que é preciso esperar até que suas necessidades sejam atendidas. Tudo vai depender do quanto elas foram ensinadas a esperar.  

A dificuldade de lidar com o “tédio”

O ócio durante a espera sempre gera tédio nas crianças. Elas são seres cheios de vida e ávidos por explorar o mundo, que não entendem que em alguns casos é inevitável ter que esperar. 

No entanto, esse ócio causador de tédio é fundamental para que os pequeninos tenham tempo de refletir e trabalhar seu intelecto. Sem isso, se tornam pessoas executoras, fazendo tudo por impulso, sem pensar antes de agir, ou seja, sem planejamento e sem saúde, tanto física quanto emocional.

Pode parecer massacrante para a criança, mas é necessário que use o tempo de espera como um período de exploração da criatividade, de aprender a se concentrar e desenvolver a paciência.

Com o tempo, em vez da criança transformar a espera num período interminável de sofrimento, ela passa a refletir sobre e a entender que, depois de um determinado tempo, suas necessidades serão atendidas.

Por isso o diálogo aberto, explicando os motivos das esperas, é crucial para a criança aprender a esperar. Nada de trocas, “subornos” ou mentirinhas, como: “coma esse biscoito enquanto isso”, “se você tiver calma eu compro aquele brinquedo” ou “vai ser rapidinho”.

Mantenha a sinceridade. Se for demorar ou ficar pra outro dia, não fique desviando atenção ou mudando o foco da criança. Essas atitudes aumentam a irritação e o tamanho da frustração quando a realidade vem à tona.

Aprender a esperar: dicas para ajudar seu/sua filho(a)

Agora que você entende o quanto é importante a criança aprender a esperar, chegou a hora de ver algumas dicas para colocar esse processo em prática e ajudar seu/sua filho(a). 

Confira.

Dê o exemplo. Seja paciente!

O primeiro passo é refletir: Como posso exigir que meu filho seja paciente se quero tudo na hora? A paciência é contagiante. Dê o exemplo em casa, seja todo ouvidos e tenha tato na hora de explicar os motivos da espera. 

Explique o porquê da espera

Você gosta de esperar sem saber o porquê? Terrível, não é mesmo!?. Não podia ser diferente para a criança. Se ela tiver que esperar, explique com calma os motivos racionais dela não poder ser atendida de imediato. No começo, pode ser extremamente difícil, mas tenha perseverança e insistência, pois uma hora seu/sua filho(a) irá entender a importância de ser paciente e saber esperar. 

Fuja das mentirinhas

Por mais inofensivas que as mentirinhas pareçam, elas sempre aumentam a impaciência ou agravam a ansiedade. Portanto, se você ouvir durante a viagem “já estamos chegando?”, por exemplo, jamais diga “falta um pouquinho” ou “é rapidinho” se na verdade o trajeto ainda é longo.

Seja transparente, se for demorar explique a demora, se não der, mostre o porquê, mas nunca invente uma desculpa para tentar confortar a criança. É preciso que ela entenda a necessidade e os motivos da espera. 

Mostre que ele/ela pode fazer outras coisas enquanto não tem o que deseja

Se a criança tiver que esperar por um bom tempo para algo ser feito ou acontecer, não a deixe esperando em algum canto da casa. Além de deixá-la triste e entediada, por não ter uma noção exata de tempo, ela não terá a menor ideia do quanto terá de esperar, gerando insatisfação, frustração e raiva.

Quando for assim, você pode direcionar algumas atividades para que o tempo “passe mais rápido” e a criança não tenha a sensação de ficar esperando por uma eternidade. São coisas simples mas que podem ajudar muito, como:

  • “Enquanto isso, pegue suas roupas sujas e coloque no cesto” ou “organize seus brinquedos, quando terminar já estarei aqui para te ajudar”
  • “Mamãe/papai está ocupada(o) agora, por que você não come alguma coisa até eu poder te ajudar?” 
  • “Vai demorar bastante, dá tempo de brincar, colorir ou até tirar uma sonequinha para que eu possa fazer isso para você”.

Evite aceitar que a criança te interrompa enquanto você está fazendo outra coisa

A criança impaciente sempre interrompe algum adulto quando quer algo. Não permita que sua criança te interrompa, por mais banal que seja o que está fazendo. Ela precisa entender que cada pessoa tem seu tempo, suas próprias necessidades, interesses e que as coisas não acontecem quando e como ela quer.

Portanto, se você estiver conversando com alguém e for interrompido(a), por exemplo, seja firme e diga: “estou ocupado(a) agora no meio de uma conversa, quando eu terminar falo com você filho(a)”.

Isso é fundamental para a criança entender a necessidade de ter paciência e saber como conviver no coletivo sem ser um adulto desagradável e invasivo, que interrompe as pessoas e acredita que suas necessidades vêm primeiro que as dos outros. 

Pronto, agora você sabe como é importante a criança aprender a esperar, qual a diferença entre impaciência e ansiedade, além de ter aprendido dicas de como desenvolver a paciência de seu/sua filho(a). Para aprender muito mais sobre o desenvolvimento saudável e harmonioso dos pequeninos, continue navegando nos conteúdos aqui do blog.

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